O Departamento e o Ensino

António de Pádua Loureiro

O ensino dos materiais no IST até 1970

Desde a fundação do Instituto Superior Técnico em 1911, o ensino dos materiais tem vindo a ser contemplado em várias disciplinas dos seus diversos cursos de engenharia. Nas primeiras décadas, até 1970, ministravam-se apenas os tradicionais 5 cursos de 6 anos com estágios (civil, electricidade, mecânica, minas e químico-industrial), e, nomeadamente entre 1955 e 1970, o "Laboratório de Metalurgia" do I.S.T. tinha à sua responsabilidade o ensino da Metalurgia (Extractiva e Física) aos cursos de engenharia químico-industrial, engenharia mecânica e engenharia de minas. Os materiais não metálicos eram objecto de capítulos de certas disciplinas nestes 3 cursos. Também em certas disciplinas dos cursos de engenharia civil e engenharia electrotécnica se ensinavam alguns assuntos relativos a materiais.

A criação do curso de engenharia metalúrgica em 1970

A partir de 1970/71, em que as licenciaturas passaram para 5 anos, foi criado no I.S.T.(e também na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto) um sexto curso autónomo, engenharia metalúrgica, que passou a contemplar todo um elenco de matérias necessárias à formação de engenheiros capazes de dominar os vários aspectos desta especialidade, desde a extracção dos metais a partir dos minérios até à elaboração de ligas e ao fabrico de produtos finais, e incluindo também o estudo dos materiais cerâmicos necessários aos vários processos metalúrgicos. O curso de engenharia químico-industrial, que era aquele que no I.S.T. mais contemplava até então estes assuntos, foi nessa altura reestruturado também, passando a designar-se por curso de engenharia química, tendo deixado de englobar no seu curriculum a maior parte destas matérias.

A evolução do curso de engenharia metalúrgica para a licenciatura em engenharia metalúrgica e de materiais

Em 1983, devido à evolução que se ia verificando mundialmente dos cursos de engenharia metalúrgica para cursos de engenharia de materiais, evolução esta justificada pela cada vez maior unificação dos conceitos científicos e dos equipamentos tecnológicos utilizados tanto nos materiais metálicos como nos não metálicos (cerâmicos, polímeros, compósitos, materiais para indústria electrónica, etc.), o I.S.T. entendeu modificar o título do curso para engenharia metalúrgica e de materiais, não cortando desde logo a palavra "metalúrgica" por uma questão de projecção para o mercado de trabalho dos futuros licenciados, mais habituado a esse termo que, obviamente, também continuava abrangido pelo curriculum do curso.

Criação do curso de licenciatura em engenharia de materiais

Em 1993 foi proposta uma nova alteração, quer do título do curso quer do seu curriculum, que veio a ser homologada. Assim, a partir de 1994/95 deixou de existir o curso de engenharia metalúrgica e de materiais (os últimos alunos deste curso foram os que frequentaram o 5ºano nesse ano lectivo, tendo os restantes pedido o ingresso no novo curso), passando a funcionar o actual curso de engenharia de materiais. O seu curriculum apresenta 9 semestres de aulas no I.S.T. e um último semestre destinado à realização de um "Trabalho final de curso", em geral numa empresa ou instituição fora do I.S.T..

Méritos do Curso

O novo curso teve o mérito de pôr em evidência esta área da engenharia, de enorme importância nos anos vindouros, podendo vir a seduzir jovens estudantes no desenvolvimento de novos materiais que, como facilmente poderá demonstrar-se, estão a revolucionar a maior parte das tecnologias ao serviço do Homem: biomateriais, habitação, telecomunicações, transportes etc...

O DeMat e o Processo de Bolonha

Está neste momento em curso a implementação, em todo o espaço europeu, das normas do Processo de Bolonha, com o objectivo de promover uma maior compatibilidade entre os cursos superiores, o aumento da mobilidade dos estudantes e o reforço da sua empregabilidade, prevendo-se que no IST entrem em vigor no ano escolar de 2006-2007.